Ambições: Romance by Ana de Castro Osório

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Osório, Ana de Castro, 1872-1935 Osório, Ana de Castro, 1872-1935
Portuguese
Hey, have you heard about this hidden gem from Portugal? 'Ambições' is like stepping into a time machine set for late 1800s Lisbon. It follows the story of a young woman with big dreams, but society has other plans. It’s all about the quiet fight between what you want for yourself and what everyone expects from you. The writing feels surprisingly modern and fresh, even though it's over a century old. It made me think a lot about how far we've come, and how some struggles never really change. If you like character-driven stories with a strong sense of place, you should definitely check this one out.
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soffria sem verdes olhares d’inveja o luxo sybarita do competidor. Por largos annos fôra o unico pharmaceutico n’umas poucas de leguas em redor e gabava-se que não havia quem lhe levasse a palma na confecção d’umas certas pastilhas contra os vermes. Essa e a dos cães damnados eram muito suas e a ninguem as daria senão no ultimo arranco. Mas um dia—questões de politica, infamias, invejas!...—eis que lhe surge pela prôa a nova pharmacia, com proprietario rapaz a modos litterato e suas vistas altas de quem tem um curso e faz os rótulos em latim. Ia tendo uma apoplexia o sr. Domingos! A cada innovação que o seu rival trazia ás velhas costumeiras de botica provinciana, elle desabafava em murros no mostrador e furioso sorver de rapé. Andou atrapalhado uns tempos. O filho aconselhava que mandasse dar uma pintadella ás portas, comprasse estantes e livros encadernados, e lá emquanto aos letreiros mandava-se ao mano, que estudava no seminario, que os escrevesse. —Que não!—berrava o velho em vermelhas guinadas d’orgulho—que assim tinha vivido sempre e assim queria morrer; que levasse o diabo os modernismos! N’estes sentimentos era appoiado pela mana Joaquina, resmungando sempre encatharroada contra as novidades e contra o rheumatismo que mal lhe deixava arrastar as pernas trôpegas. Mas o caso é que a botica nova não lhe tirou freguezia, apezar dos fumos de sabichão do pharmaceutico, porque a boa gente da provincia gosta sempre de andar pelo seguro:—_ná_, diziam elles, temo-nos governado com o _sô Domingos_, e com as suas drogas nos iremos medicando; nada de venenos, que são os remedios novos! E batiam familiarmente nas costas do velhote, que esfregava as mãos triumphante. Passára-lhe já a maior furia, mas o rancor ficára latente e resmungão, como cachorro mal acostumado ao canil. Pessoa que, por acaso, ou propositadamente, entrasse na _nova_—como dizia com ironico despreso—era certo incorrer para sempre no desagrado geral da familia. Mas, isto era ao accender dos candieiros de petroleo,—não chegou ainda a civilisação do gaz a todos os cantos de Portugal—por um fim de dia de frigido janeiro. Lá fóra a escuridão fazia-se rapidamente, com um tremôr d’estrellas que annunciavam muita geada por essa noite fóra. O sr. Domingos José da Silva, _matriculado_ pharmaceutico no largo da Fonte, (como de si proprio dizia com grossa voz fanhosa e expedimentos de perdigotos por demais explicativos para quem lhe ficava em frente) estava nos seus momentos felizes. Era á hora a que os parceiros do _solo_ e da má lingua começavam a chegar, e toda a sua grossa pessoa rejubilava festiva. Não que elle fosse positivamente um mau homem, que não era! Mas aquelle fraco por saber o que se passava na terra, fazia-o esperar pela noite como pelo melhor bocadinho da sua estupida vida, partilhada entre as tizanas, as descomposturas aos freguezes pobres, e o desvanecimento pela esperteza propria e a da familia. Não era raro ouvir-lhe contar os adeantamentos e habilidades da sua prole, n’estes e n’outros discursos por igual demonstrativos. —«O meu filho _Antoino, cabalidade, cabalidade_!... Deu os riscos p’ró chafariz novo. Ainda os pintava melhor, a _cambra_ é que não quiz gastar dinheiro. Mas deixem-me ser _vérador_ que o caso é _oitro_...» Tinha ferrado no bestunto esse ideal supremo de labrego, que ao acaso de muito pontapé da sorte conseguira largar o cabo da enxada pela mão do almofariz. Passeava, pois, o sr. Domingos José da Silva ao longo e largo da pharmacia, para melhor aquecer os pés mettidos em tamancos forrados; esfregava as mãos vermelhas e enfrieiradas vestidas de _mitenes_ d’algodão verde salsa; tossia para o _cache-nez_ enrolado ao pescoço, e esperava...

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I just finished 'Ambições' and I need to talk about it. This book isn't just a historical artifact; it's a living, breathing story that still feels relevant today.

The Story

Set in Lisbon at the turn of the 20th century, the book follows a young woman navigating a society with very strict rules. She has ambitions—for her mind, for her life, for her independence—that clash directly with the traditional path laid out for her. The plot isn't about grand adventures, but about the internal and external battles she faces in her own home and social circle. It’s a close-up look at the quiet desperation and small acts of rebellion that defined many women's lives.

Why You Should Read It

Osório writes with a clarity and emotional honesty that cuts right through the years. Her main character isn't a perfect heroine; she's conflicted, sometimes doubtful, but always compelling. Reading this, you get a real sense of the walls—both visible and invisible—that boxed people in. It's less about historical facts and more about the human heart under pressure. I found myself rooting for her with every page.

Final Verdict

This is perfect for readers who love discovering forgotten voices and strong character studies. If you enjoyed the societal pressures in Edith Wharton's novels or the intimate portraits in Kate Chopin's work, you'll find a kindred spirit here. It’s a short, powerful read that proves some stories are truly timeless.



✅ Copyright Status

No rights are reserved for this publication. Thank you for supporting open literature.

Lucas Young
1 year ago

High quality edition, very readable.

Mason Clark
1 year ago

Used this for my thesis, incredibly useful.

Margaret Lopez
1 year ago

Helped me clear up some confusion on the topic.

Richard Thompson
9 months ago

Having read this twice, it challenges the reader's perspective in an intellectual way. Don't hesitate to start reading.

5
5 out of 5 (4 User reviews )

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